terça-feira, 3 de novembro de 2009

As malas que vão para Belém

É difícil crescer, amadurecer. É doloroso, às vezes. Mas realmente, não tem outro jeito de ganhar experiência, a não ser passando por experiências. Boas, e também ruins.

Devo confessar que tenho um problema sério, especialmente no que diz respeito a relações de todos os tipos com as pessoas: sou uma pessoa que acredita, ou melhor dizendo, só sabe lidar com sinceridade. Isso não significa apenas que eu sou sincera o tempo todo (o que nem é verdade, afinal, quem é sincero absolutamente em todos os momentos da vida?) Significa principalmente que eu parto do pressuposto que as pessoas serão, na maior parte do tempo, sinceras.

É por isso que não tenho paciência com joguinhos, indiretinhas, fofoquinhas. É por isso que às vezes acabo falando demais, por tentar esclarecer as coisas. Sentimentalmente, então, sou um fracasso. Essas regras de não poder ligar, não poder demonstrar interesse... não entram na minha cabeça. Pra falar a verdade, não acho justo ter que fingir quando o que estou procurando numa pessoa - e oferecendo - é justamente sinceridade, companheirismo. Coisas que não combinam com fingimento, "fazimento". Não sei me fazer.

Tenho mania de achar que mostrar nossas verdadeiras características para os outros é o melhor negócio, que é assim que os outros vão ter chance de gostar da gente. Talvez até fosse, num mundo onde todos concordassem comigo. Mas em um mundo em que as primeiras impressões e as aparências são tão importantes, o melhor acaba sendo todo mundo demonstrar o mesmo padrão de personalidade e de comportamento, pelo menos até ser aceito. Senão pode acabar sendo taxado de esquisito, de doido, e no caso das relações amorosas, até desesperado.

Tenho impressão de que estou sempre aquém da minha idade, que nunca estou madura o suficiente para a minha idade. Em certos aspectos, enquanto sei que não é o caso em outros. Será que algum dia vou alcançar a maturidade devida para a fase que eu estiver vivendo? E a vontade de voltar atrás e reviver a adolescência com a experiência que tenho hoje? Será que aos 30 vou querer reviver os 20 com a experiência que tiver então? Será que isso acontece com todo mundo?

Talvez outro problema em mim seja uma certa impaciência. No fundo, sei que não adianta me preocupar com essas coisas, e que só o tempo vai me mostrar o melhor caminho a seguir, em todos os aspectos. As decepções vêm e vão, assim como as surpresas boas. Perder tempo com coisas que não valem a pena todo mundo sempre vai perder (a não ser que escolha se arrepender, no futuro, de não ter tentado). Ser mal compreendido e mal interpretado é um risco que todos correm, especialmente aqueles que optam por mostrar como realmente são. E, bem ou mal, as experiências vão nos lapidando, para que possamos encontrar um meio-termo nas coisas que só sabemos encarar por um extremo ou por outro.

De um jeito ou de outro, as coisas acabam tomando o rumo que precisam tomar. O tempo traz (assim espero), através das experiências, a maturidade tão almejada. E quanto às perdas que acabamos acumulando ao longo dos anos, é sempre possível aplicar aquele velho provérbio: "há males que vêm para o bem", ou, na versão repetida como consolo pelo meu pai a cada uma dessas minhas perdas, "há malas que vão para Belém".

Um comentário:

Rubino disse...

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